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sábado, 20 de fevereiro de 2010

O Edema de Reinke

Edema generalizado e bilateral nas pregas vocais que traduzem a presença de uma laringite crônica, trazendo conseqüentemente, uma rouquidão. A alteração é benigna.

A causa mais comum é o fumo, mas também pode ser causado por trauma vocal.

A ação irritativa de algumas substâncias inaladas cronicamente pode provocar reações inflamatórias que implicam no aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos presentes no espaço de Reinke, resultando num edema e uma flacidez do tecido da prega vocal. O Edema de Reinke ocorre principalmente em mulheres, com mais de 40 anos, após a menopausa e principalmente se fumantes há longa data.

principais sintomas:
  • a fadiga vocal
  • extensão vocal reduzida (impossibilidade de produzir um som por muito tempo
  • rouquidão sonoridade pobre (a pessoa normalmente fala em apenas um tom
tratamento

Inicialmente consiste em afastar a causa. Quando o edema é pequeno, pode ser tratado com medicamentos e fonoterapia (que pode regredir a lesão e melhorar a qualidade vocal). Quando grande, deve ser removido cirurgicamente, também seguido de fonoterapia. A maioria dos médicos indica cirurgia, pois só a interrupção do fumo e a fonoterapia podem não reverter o quadro.

Essa indicação depende mais dos sintomas apresentados e de quanto a qualidade vocal do portador o perturba social e/ou profissionalmente, do que da severidade das alterações anatômicas encontradas.

Qualquer alteração na sua voz consulte seu médico otorrinolaringologista. Ele avaliará seu caso e se necessário, lhe indicará fonoterapia.

Alerta

Uma rouquidão que persiste por mais de 15 dias, sem modificação e sem melhora, precisa ser investigada imediatamente. O sintoma pode indicar tanto uma simples inflamação como uma lesão cancerígena na laringe. E, quanto mais cedo for feito o diagnóstico, maiores as chances de sucesso no tratamento. Além da rouquidão, outros motivos para alerta são: tosse, sensação de garganta seca, dor ou dificuldade ao falar.

Exames como a laringoscopia e a nasofibrolaringoscopia permitem verificar alterações funcionais na laringe ou nas pregas vocais, que possam estar comprometendo seu bom funcionamento.

Estes exames permitem acompanhar em detalhes as estruturas que participam da produção da voz.

Os sintomas podem estar relacionados com diversas causas, além do tabagismo: refluxo gastroesofágico, desordem endocrinológica, alergia inflamação ocasionada por uma gripe. As complicações podem ter como origem o mau uso da voz, e uma reeducação com fonoaudiólogo pode ser indicada. O fonoaudiólogo ensina como produzir os sons e a fala de forma adequada.

Prevenção

O processo natural de envelhecimento já produz, por si só, modificações importantes no tom de cada indivíduo, mulheres costumam falar mais grave com a passagem dos anos, enquanto nos homens tornam-se paulatinamente mais agudos. Porém, é possível adiar essas alterações, garantindo uma voz limpa, clara, equilibrada e agradável por mais tempo. O segredo é investir em pequenas mudanças de hábitos.

evite pegarrear:
Pigarrear ou “raspar a garganta”: oferece a sensação de que se elimina um corpo estranho na laringe, aliviando o sintoma de pressão na garganta, com eventual melhora da voz. Tal gesto, porém, é uma agressão para as pregas vocais, piorando a condição da laringe.

use bem a voz:
Quando falamos ou gritamos demais, a laringe se ressente. Se a agressão persiste, pode aparecer a rouquidão, consequência de inflamações. O problema pode evoluir, ainda, para a formação de nódulos. Fale num tom moderado, respirando enquanto conversa. Em ambientes ruidosos, numa casa noturna, por exemplo, afaste-se das caixas de som e fale olhando para a outra pessoa, possibilitando, assim, que ela leia seus lábios.

Evite gritar:
Pode ser o suficiente para provocar uma lesão nas pregas vocais. Evite também falar sussurrado ou cochichado, esforço maior que necessário para a produção natural da voz pois para falar assim é necessário bloquear a vibração livre das pregas vocais e o som é produzido apenas por fricção do ar.
Fique em silêncio por 15 a 30 minutos após falar muito. As cordas vocais são músculos e também sofrem fadiga.

hidratação:
Tenha sempre a mão uma garrafa com água mineral, que deve ser ingerida em pequenos goles pelo menos a cada hora. Isso ajuda a manter a hidratação, que evita o atrito entre as pregas vocais e ajuda a diluir as secreções, evitando o pigarro. Beba em média 2 litros de água por dia (temperatura ambiente). Um recipiente com água, especialmente em com ar-condicionado ajuda a umidificar o ambiente, o que faz bem tanto para a voz quanto para o aparelho respiratório. Não se exponha ao ar condicionado mais que o necessário. Se isso não for possível, aumente a ingestão de água.

alimentação:
evite:
  • alimentos muito condimentados e gordurosos (lentificam a digestão e dificultam a movimentação livre do músculo diafragma, essencial para a respiração)
  • bebidas ricas em cafeína
  • refrigerantes e bebidas gasosas (favorecem a flatulência, prejudicando o controle da voz)
  • leite, derivados e chocolate (aumentam a secreção de muco do trato vocal, prejudicando a ressonância, e induzem à produção de pigarro)
liberados:
  • maçã (efeito adstringente, pois ajuda a limpar as cavidades de ressonância, e por ser uma fruta dura, deixa a articulação mais solta)
  • alimentos leves, verduras e frutas bem mastigadas (relaxam a musculatura da mandíbula, da língua e da faringe, melhorando a dicção e dando sensação de leveza ao corpo)
  • Sucos cítricos (se não tiver problemas de estômago - auxiliam a absorção do excesso de secreção)
evite a automedicação:
Não use sprays, balas e pastilhas com efeito anestésico: embora aliviem os sintomas, são paleativos e, a longo prazo, podem agravar o quadro. Com a diminuição da sensibilidade local, sem perceber forçamos ainda mais a voz. A dor, por outro lado, indica que algo está errado e nos faz mais prudentes.

durma bem:
Uma noite maldormida pode ocasionar uma rouquidão discreta, a voz se torna mais fraca durante todo o dia.

reduza o consumo de álcool:
As bebidas, especialmente as destiladas, irritam a voz. Além disso, provocam uma leve sensação de anestesia na faringe e, com a redução da sensibilidade, fica muito mais fácil abusar, falando alto, por exemplo. O consumo excessivo de bebidas destiladas, assim como o tabagismo, está fortemente ligado ao câncer de laringe e pulmão. O álcool também tem uma ação de imunodepressão, ou seja, redução nas respostas de defesa do organismo. A associação de álcool com tabagismo aumenta a probabilidade do risco de câncer.

evite o choque térmico:
A mudança brusca de temperatura que pode comprometer a voz. Isso significa tomar um copo de refrigerante - ou cerveja - estupidamente gelado num dia muito quente ou logo depois de exercícios físicos, quando o corpo ainda está aquecido.

esportes:
Natação e caminhadas ativam todo o corpo e melhoram a respiração. A ioga e exercícios alongamento também são aconselhados.

exercícios vocais:
Faça no carro, no chuveiro, quando estiver sozinho/a:Para tonificar as cordas vocais - Vibrar a língua: Emita o som TRRRRRRRRRRRRRRR ou BRRRRRRRRRRRRRRRRRR por cerca de 2 minutos.
Para melhorar a potência da voz - Vibrar os lábios: Repita por 2 minutos o som MINIMINIMINIMINIMINI
Bocejar, Protusão dos lábios (fazer bico como se fosse dar um beijo)

Como age o cigarro

Dr. X Fonoaudiólogo é o consultor do eufumo para cuidados com a voz do fumante. O Conselho Regional de Fonoaudiologia nao permite aos profissionais participarem de qualquer atividade que os atrele ao cigarro. Mesmo assim, nosso consultor, por não aceitar que um fumante deva ficar sem atendimento nos presta este valoroso serviço com suas dicas.

Como Age o Cigarro

A fumaça e o alcatrão dos cigarros, charutos e cachimbos ressecam o trato vocal, causando irritação da mucosa do nariz, boca e laringe. Numa reação de defesa do organismo, é formado um depósito de secreção ao longo das pregas vocais - o pigarro. A tosse e o pigarro são conseqüências da irritação da mucosa e favorecem diversas alterações como edemas, pólipos, hiperplasias, displasias e câncer de laringe, cuja incidência é 40 vezes maior em relação aos não-fumantes. A tosse também provoca um intenso atrito nas pregas vocais, podendo lesioná-la.

A fumaça quente também agride todo o sistema respiratório, ressecando o aparelho fonador.

O depósito da nicotina nas pregas vocais provoca seu inchaço - a longo prazo, a voz engrossa e perde a potência. O processo de inchaço das cordas vocais também ocorre na menopausa. Elas ficam mais pesadas e vibram menos - o que faz com que a voz fique mais grave.

Os exercícios indicados para melhorar a voz do fumante são os mesmos indicados indicados para mulheres na menopausa: são exercícios para ativar a circulação sanguínea para facilitar as trocas celulares e reduzir a quantidade de líquidos que causam o inchaço. Exercícios para "calibrar a voz", através da repetição de sons facilitadores, fazem com que a voz seja deslocada - do fundo da garganta para a ponta dos lábios - menos gutural e mais leve. Ao melhorar a circulação sanguínea, os exercícios favorecem, para o fumante, a eliminação das toxinas, reduzindo a formação do pigarro.