terça-feira, 24 de novembro de 2009

Números e mais números

"Taxa de fumantes nos EUA volta a superar 20% após 15 anos" - O Estado de São Paulo

A notícia publicada no Estadão em 12/11, relata que a taxa ficou um pouco abaixo de 21%. Comparada com a taxa de 19,8% de 2007, o aumento foi considerado "inexpressivo" pelo Centro Norte‐americano de Controle e Prevenção de Doenças.

Vamos ver o que é considerado "inexpressivo"...

  • A população estimada de adultos nos EUA é de cerca de 230 milhões.

  • A nova pesquisa diz que em 2008 a taxa ficou "pouco abaixo de 21%", contra 19,8% dos anos anteriores. Se este número for por volta de 20,8%, o aumento foi de 1 ponto percentual, ou seja, os EUA tem 2.3 MILHÕES de novos fumantes.

De fato, 2.3 MILHÕES de novos fumantes é um número totalmente "inexpressivo"...
Alguns números "expressivos":


  • Em 2005, cerca de 159 mil pessoas morreram nos EUA devido a cancer de pulmão.

  • Cerca de 143 mil eram fumantes, 16 mil não fumantes.

  • O mais alarmante e controvertido estudo nos EUA contabiliza 3 mil mortes anuais por câncer de pulmão em não fumantes devido ao fumo passivo (EPA - 1993).

  • Não se sabe as causas da incidência de câncer de pulmão nos demais não fumantes (13 mil).

Nota do eufumo:

O que a análise do CDA sobre esta pesquisa indica?
Ao desprezar o aumento do número de fumantes, o CDA novamente retira de foco o que deveria ser a maior preocupação de saúde pública: os próprios fumantes. São os fumantes os que correm maior risco com o tabagismo (85 a 90% dos acometidos por câncer de pulmão são fumantes).

Quais são as consequências da super-valorização dos efeitos do fumo passivo?

Ao supervalorizar o fumo passivo como causa de câncer de pulmão em não fumantes, alocando grandes fortunas para as campanhas, cerca 13 mil não fumantes vítimas desta doença morrem anualmente nos EUA sem que se estude e combata suas causas e formas de protegê-los contra esta doença.
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Obesos: As novas vítimas?

3 notícias publicadas pela BBC Brasil sinalizam quem será alvo da obsessão pela saúde no mundo.
"Aliás, apregoar o discurso epidemiológico – leia-se científico – como o único possível é uma forma de inculcar determinado tipo de raciocínio, que desconsidera a subjetividade humana ou, no mínimo, a joga para baixo do tapete." - Marcos Santos Ferreira - “Navegar é preciso, viver não é preciso”: risco no discurso da vida ativa (tese de doutorado)"


Casal obeso perde guarda dos filhos na Escócia
12/11/2009
Um casal obeso perdeu a guarda dos seus sete filhos na cidade britânica de Dundee, na Escócia, por, segundo os assistentes sociais, colocar em risco o bemestar das crianças. A maior parte das sete crianças – a mais nova tem poucas semanas de vida, e a mais velha, 13 anos de idade – também está acima do peso normal.
A mãe, de 40 anos, tem mais de 145 kg. O pai, de 53, pesa quase 115 kg. Segundo as autoridades, os nomes dos pais não foram revelados para proteger a identidade das crianças.
A Grã Bretanha parece estar liderando o ranking desse tipo de ação. No país de Gales, fumantes são proibidos de adotar crianças...
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Adolescentes com amigos obesos podem ter ganho de peso, diz estudo
12/11/2009
Pesquisa da Universidade do Havaí, nos Estados Unidos, sugere que adolescentes que têm amigos obesos tendem a desenvolver problemas de peso.
A pesquisa, publicada na revista Economics and Human Biology descobriu uma forte ligação entre o peso dos adolescentes e o de seus amigos mais próximos. A partir daí, os pesquisadores descobriram que as amizades entre os adolescentes tendem a ser feitas em grupos, de acordo com o peso. Isto significa que os que estão acima do peso tendem a permanecer juntos.
Segundo os autores do estudo não é possível afirmar, a partir desta pesquisa, se adolescentes acima do peso influenciam os amigos para que eles também fiquem acima do peso ou se adolescentes obesos simplesmente escolhem ficar juntos.
Ora, se não é possível afirmar isso, porque publicar um estudo assim? Como se não bastasse a discriminação sofrida por crianças gordinhas na escola, ainda mais essa...
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Campanha contra obesidade em NY mostra refrigerante despejando copo de banha
12/11/2009
A estratégia da campanha é promover uma redução no consumo de refrigerantes usando a tática de chocar as pessoas com a força da imagem, que, no caso, vem acompanhada dos dizeres"Are You Pouring on the Pounds?" ("Você está derramando os quilos a mais?", em tradução livre).
Defensores das campanhas de saúde pública afirmam que os Estados Unidos estão vivendo hoje uma epidemia de obesidade que custa ao país US$ 147 bilhões por ano em gastos com saúde. De acordo com as últimas estatísticas do governo americano, 32.2% dos americanos adultos e 17.1% das crianças já são clinicamente obesos.
Ai ai ai, já ouvimos esta conversa antes
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Matérias publicadas pela BBC

NYT: Nicotina ou cocaína qual causa mais dependência?
C. Claiborne Ray The New York Times
18/09/2009
Pergunta: a dependência de nicotina é mais forte que a de cocaína?
Acreditase que as duas dependências envolvem rotas cerebrais similares. Segundo um estudo, a ânsia por ambas as drogas foi reduzida pela mecamilamina, uma droga usada para bloquear os efeitos de "recompensa" da nicotina.
Porém, um estudo de 2006, publicado no jornal "Addiction" por Jack E. Henningfield, pesquisador do Instituto Nacional de Abuso de Drogas dos Estados Unidos, examinou a força das dependências através de várias medidas e concluiu que a dependência de nicotina não pode ser considerada mais forte que a de cocaína.
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Lei antifumo em Paris leva a aumento de queixas contra o barulho
Daniela Fernandes - Paris para a BBC Brasil
21/08/2009
A proibição de fumar em ambientes públicos fechados na França provocou o aumento das queixas contra o barulho causado à noite nas ruas por clientes de bares e restaurantes que fumam nas calçadas.
"As petições de moradores contra o barulho feito por clientes nas mesas ao ar livre vêm se multiplicando. Esse problema já existia antes, mas a lei antifumo agravou a situação", disse Thierry Ottaviani, presidente da Associação SOS Barulho em entrevista ao jornal Le Figaro.
Em ruas repletas de bares e restaurantes, muitos vizinhos pedem o fim dessas áreas com mesas ao ar livre, ocupadas principalmente por fumantes, afirma Ottaviani.
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Jovem tem overdose de chiclete de nicotina na GrãBretanha
BBC - Grã Bretanha
21/07/2009
Um adolescente britânico foi internado em um hospital por causa de uma overdose de nicotina depois de ter consumido dezenas de tabletes de chicletes antifumo.
Aiden Williams, de 14 anos, teria mascado entre 30 e 45 tabletes de 2 mg de nicotina em poucos minutos o equivalente a uma média entre 60 e 90 cigarros, segundo relatos da imprensa britânica.
Ele teria recebido os chicletes de um amigo fumante, que por sua vez se beneficiou da distribuição gratuita realizada pelo departamento de Educação para Drogas e Aconselhamento Confidencial (DECCA, na sigla em inglês) do conselho da cidade de
Sandwell.
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Textos da Home do eufumo

Fumo Passivo = Fumo Ativo?
Afirmar que respirar fumaça alheia é igual a fumar é irresponsável e leviano. Após o debate na MTV resolvi fazer o teste do "fumômetro", pelas mãos da 'mãe do assunto' - Jacqueline Issa, da Vigilância Sanitária. Enquanto os não-fumantes obtiveram valores entre 3 e 6ppm (o limite da zona de perigo é 10ppm), a minha medição deu 31ppm. Depois de 3 horas sem fumar.
Um garçom que foi um dos primeiros a ter o resultado divulgado na mídia (maio/2009), obteve um valor de 3ppm, mesmo trabalhando no meio de fumantes. Fumante é fumante. Não fumante, convivendo ou não com fumante, será sempre não fumante.

Fumo Passivo é 3a causa de morte evitável no MUNDO (OMS)
Quantas vezes você já leu/ouviu isso? Pois saiba que a Organização Mundial da Saúde nunca disse nada a respeito. Nem nas 342 páginas da mais recente publicação sobre controle de tabagismo.
É citada pelo INCA - Instituto Nacional do Câncer
e milhares de sites e reportagens que usam este órgão de referência como fonte, exemplo:
- Portal da Lei Antifumo paulista
- Assoc. Bras. de Estudos do Álcool e outras Drogas
- ACT - Aliança do Controle do Tabagismo
A informação divulgada pelo INCA deixa no mínimo uma margem de crédito aos cientistas que afirmam que o maior risco para a saúde são as afirmações irresponsáveis que geram ansiedade na população. Hyping Health Risks

Cigarros Eletrônicos
Quando surgiram os cigarros eletrônicos, pensei: vou esperar produzirem no Brasil para experimentá-los. Afinal, a certeza da disponibilidade do produto é fundamental para o viciado. Para os que não sabem, o cigarro eletrônico é a forma de reposição de nicotina que mais simula o cigarro tradicional. Não produz fumaça (apenas vapor limpinho). O único a receber a nicotina é o usuário. Resumindo: é o fim do "fumante passivo". E mais: os mais de 4000 elementos nocivos do cigarro tradicional foram eliminados.
Estudos americanos comprovam que são tão cancerígenos quanto os produtos farmacológicos a base de nicotina e não contém dietileno glicol (era a grande preocupação).
O cigarro eletrônico foi proibido no Brasil. Sorte dos fabricantes de cigarros e dos fabricantes de chicletes/patches de nicotina - jogada de mestre.

Plantação de fumo - porque não proibir?
Em primeiro lugar, foi uma das condições impostas pelo governo para assinar a Convenção-Quadro pelo Controle do Uso de Tabaco. Mas será só por isso? Além da poderosíssima indústria de cigarros, a indústria farmacêutica também precisa do tabaco para os chicletes de nicotina e patches. Antes de culpar o cigarro pelo flagelo dos fumicultores, lembrem-se que agora estes agricultores têm mais um cliente.
Os usuários, no entanto, continuam os mesmos.

Alerta nas embalagens de chicletes
Uma amiga grávida que havia parado de fumar mas mascava furiosamente chicletes de nicotina foi aconselhada pela obstetra a abandoná-los. Afinal, nicotina vicia, seja na forma de cigarros, fumo para mascar ou nos inocentes chicletinhos, anunciados dispudoradamente na TV. E o alerta na embalagem?

Cigarros mentolados
A Campanha Tobacco-Free Kids proibiu cigarros sabor de frutas e chocolate (americano adora inventar essas coisas). No entanto, os mentolados nem foram tocados. O mentol, com seu leve efeito anestésico, é um grande facilitador para as crianças começarem a fumar. Mas representam 20% do consumo nos EUA (os de fruta e chocolates representavam algo em torno de 1%).

No País de Gales, fumantes são proibidos de adotar crianças
Os orfanatos deste país devem ser maravilhosos.

Enxurrada de novembro

Resolvi de hoje em diante sincronizar as publicações site/blog. Por conta disso, hoje segue uma série de posts, principalmente porque este canal permite uma interatividade que o site, pelo seu formato, torna mais difícil.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Nossa Posição sobre a lei antifumo

Quem já teve a curiosidade de ler a lei federal e a Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (usada para justificar a lei antifumo paulista), entenderá o posicionamento de intelectuais, filósofos e pensadores com relação a lei de Serra.

A lei federal atende à Convenção Quadro.

A lei paulista não é a "lei que proíbe o fumo em ambientes fechados". Isto a lei federal já faz, restringindo o fumo a fumódromos isolados e com exaustão adequada.

Você pode dizer: "mas é uma esculhambação, o povo fumava em barzinhos, nas baladas, ninguém respeitava..."

Isto aconteceu não por falta de educação de fumantes ou por culpa de maus comerciantes. O responsável pela anulação da lei federal em São Paulo foi o prefeito Kassab, que assinou um decreto isentado casas noturnas e estabelecimentos menores de 100m2 da obrigação de ter fumódromos. Isso foi confirmado pela médica Jacqueline Issa - Vigilância Sanitária, momentos antes do debate da MTV.

Qual é, então, a novidade da lei paulista?
  • Elimina os fumódromos. Mas não todos. O fumo é permitido em ambientes fechados usados para cultos religiosos. Desde que sejam "adotadas condições de isolamento, ventilação ou exaustão do ar que impeçam a contaminação de ambientes protegidos por esta lei" (Artigo 6o). No entanto, os equipamentos aprovados no Artigo 6o da lei não servem para empresas ou estabelecimentos.
  • Muda o conceito de "ambiente fechado" abrangendo toldos e varandas.
  • Proíbe a venda de bebida e comida nas tabacarias (único local público onde é permitido fumar).
  • Manda o fumante fumar em casa.


Quanto, exatamente, a lei melhora a saúde do não fumante? Nada.

  • Não fumante não frequenta fumódromo.
  • Funcionários e fiéis continuam expostos em tabacarias e locais de culto religioso.
  • É impossível medir níveis em áreas semi-abertas (toldos e varandas) - tanto pela dispersão quanto pela provável interferência da poluição dos automóveis.
  • Aumenta a possibilidade de exposição pelas crianças: nas áreas comuns dos condomínios os fumódromos também são proibidos.

O que isso muda para o fumante? Tudo.

  • A intenção da lei é a de obrigá-lo a parar de fumar na marra, com custo zero para os cofres públicos;
  • Não há telefone para tratamento no portal da lei paulista (só o disque-denúncia);
  • A lista de espera para tratamento é de 8 meses;
  • Em breve os fiscais não serão necessários porque o cidadão comum vai substituí-los através dos mecanismos de denúncia;


O tabagismo está na classificação internacional de doenças. Como disse o Dr Celso Antonio, pneumologista do INCA, no debate da TV Câmara, "não ha o que discutir". Em todos os países signatários da Convenção Quadro o foco da saúde pública é o fumante.

A lei paulista, no entanto, taxa o fumante como agressor e incentiva a perseguição e a discriminação.

Uma vez que, se comparada à lei federal, não há benefícios para os não fumantes nesta lei, fica claro que a intenção do Governador Serra é impor a esta parcela da população um "comportamento saudável".

O argumento final de que o fumante gera despesas para a saúde não procede. Se fosse assim, outros comportamentos "não saudáveis" deveriam entrar na lista. E nenhum destes outros comportamentos gera ao governo os impostos arrecadados pelo fumo (só a Souza Cruz paga 5 bilhões de impostos por ano).

A lei paulista não protege os não fumantes. Porque não fumante, antes de ser não fumante, é um cidadão e esta lei dá ao Estado o poder de determinar como o cidadão deve se comportar com relação à sua saúde. É um precedente perigoso, e poucos estão se dando conta disso.


http://eufumo.com.br/publicacoes/decreto federal.pdf
http://eufumo.com.br/publicacoes/Decreto_Kassab.pdf
http://eufumo.com.br/publicacoes/legislacao.pdf
http://eufumo.com.br/publicacoes/ConvencaoQuadro.pdf

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Fumante: O Grande Otário

Nos últimos dias, incentivada pela participação em um programa cujo tema foi a lei Antifumo, tentei esclarecer algumas dúvidas:
  1. Porque não proíbem a plantação/produção de cigarros no Brasil?
  2. Quais os motivos da proibição do cigarro eletrônico (para quem não conhece, um cigarro falso, com cartuchos de nicotina, que simula o ato de fumar mas solta um vaporzinho ao invés da temida FAC - fumaça ambiental de cigarros). Contém os mesmos produtos químicos dos chicletes e patches. Porque não liberamos a sua fabricação no Brasil?
  3. Porque os chicletes de nicotina não contem o aviso de que a nicotina torna as pessoas dependentes? A nicotina de patches e chicletes é adquirida do mesmo produtor que fornece matéria prima para a fabricação de cigarros. Cada chiclete de nicotina contém 10X a dose de um cigarro “light”.
  4. Porque o FDA, na ânsia de manter as crianças longe do tabaco, não proibiu o cigarro mentolado, excluindo-o dos cigarros que atraem novos fumantes infantis?

Algumas respostas:
  1. A condição para o Brasil assinar a Convenção-Carta (aquela, famosa, para diminuir o consumo de tabaco no mundo) foi a de que ela não seria usada para proibir a plantação de fumo nem tampouco para atrapalhar o “livre comércio”.
  2. A produção de cigarros eletrônicos no país atrapalharia um pouquinho o negócio de cigarros tradicionais? E o negócio de reposição de nicotina? Como dizem nossos colegas do hemisfério Norte, Big Tobacco e Big Pharma felizes com a decisão.
  3. Será que a reposição de nicotina através de patches e chicletes seria recomendada se o produtor fosse a indústria tabagista? Eu certamente teria pensado nessa possibilidade nova de ganhar dinheiro caso o meu negócio estivesse ameaçado.
  4. A decisão sobre os cigarros mentolados, até agora estou tentando entender...

Francamente, como já disse antes, não vejo diferença nenhuma entre fabricantes de remédios e de cigarros. Um não vive sem o outro e o Governo não vive sem os dois.

Se os adolescentes tivessem de fato noção de perigo (eu não tinha), meu conselho seria: não fume. No mínimo, além dos prejuízos à saúde, você será refém do governo, das indústrias e de todos os profissionais que lucrarão em cima da sua tosse. E ninguém vai se preocupar com você.

Tentei achar no site da lei Antifumo algum link para os órgãos do governo que oferecem tratamento para o fumante. Em destaque, apenas o telefone para denúncias. Eles poderiam pelo menos disfarçar que a lei não é contra o fumante.