sábado, 7 de agosto de 2010

Até não-fumantes concordam que lei exagerou


"Please feel free to smoke in this area" (por favor sinta-se à vontade para fumar neste local) - Aeroporto de Heathrow - Londres - Grã Bretanha - Espaço coberto para fumar



Enquete realizada no Eufumo revela que:

Entre não fumantes - 26% dos internautas:
67% desaprova o fim dos fumódromos nas empresas
57% desaprova a proibição de fumar em locais semi-abertos.


Entre fumantes (obviamente, os índices são maiores) - 74% dos internautas:
92% desaprova o fim dos fumódromos nas empresas
88% desaprova a proibição de fumar em locais semi-abertos.


A lei paulista, "exportada" na íntegra para 4 estados do Brasil, é muito mais restritiva que a lei britânica, considerada como modelo para o mundo. Veja na foto que a área para fumantes no aeroporto de Heathrow é coberta...

Desde a aprovação da lei paulista procuramos mostrar que bastava fazer cumprir a lei federal para proteger a população dos males do cigarro. No máximo a nova lei poderia ter excluido apenas os ambientes fechados frequentados por não fumantes.

Hoje as empresas se recusam a contratar fumantes, devido ao tempo que perdemao sair do local de trabalho para fumar.

Proibir o fumo sob toldos/varandas/guarda-sóis não protegeu os não-fumantes: apenas serviu como forma de constranger e humilhar os fumantes.

Tabacarias não podem mais vender comida/bebida para seus frequentadores, embora não seja proibido contratar funcionários para atender os clientes no meio da fumaça.

O Eufumo sempre foi contra essas medidas que ao nosso ver, por não ter objetivo de proteger a população, foi a forma mais barata para forçar os fumantes a parar de fumar. Segundo o o jornal O Estado de São Paulo, há uma espera de 3 meses para tratamento (exigido pela Convenção Quadro que norteou os idealizadores da lei).

Tenho perguntado nos locais que vendem cigarro se a venda diminuiu. Adivinhem a resposta? Claro que não...
A fiscalização ostensiva e o odioso método da delação garantiu ambientes fechados menos poluídos e os benefícios desta fiscalização encobriram os aspectos nefastos da lei abordados na pesquisa. Mas fica a sensação incômoda da facilidade com que é possível constranger e humilhar grupos de cidadãos que, por qualquer motivo, sejam eleitos como "a bola da vez". Nesses tempos de ditadura da saúde e do politicamente correto, não faltarão novos bodes espiatórios para impor os padrões de vida desejados.


A PESQUISA
Realizada entre 785 internautas continha as seguintes perguntas:
1) Você fuma?

2) Aprova a proibição de fumar em:
a. Ambientes fechados?
b. Áreas externas - varandas, áreas sob toldos e mesas com guarda-sóis em bares e restaurantes?
c. Em lugares poluidos (ex.garagens)?

3) Aprova a extinção de fumódromos nas empresas?

O internauta foi obrigado a fornecer ser email na pesquisa.


OPINIÃO DO TOTAL DE FUMANTES (74% dos internautas)

Apóia a proibição em Ambientes Fechados sim: 62% não: 38%
Apóia a proibição em Ambientes semi-abertos sim: 12% não: 88%
Apóia a extinção de Fumódromos em empresas sim: 8% não: 92%
Apóia a proibição em Garagens sim: 28% não: 72%


OPINIÃO TOTAL DE NÃO-FUMANTES (26% dos internautas)
Apóia a proibição em Ambientes Fechados sim: 82% não: 18%
Apóia a proibição em Ambientes semi-abertos sim: 43% não: 57%
Apóia a extinção de Fumódromos em empresas sim: 33% não: 67%
Apóia a proibição em Garagens sim: 58% não: 42%


Extrapolando estes votos para a população, caso isto seja possível: Considerando que o voto de cada não-fumante vale 5 votos de fumantes (a estimativa é que os fumantes sejam 16% da população de são Paulo), uma média estimada da aprovação dos itens mencionados seria:

75% aprova a proibição de fumar em ambientes fechados
68% desaprova a proibição de fumar em ambientes semi-abertos
76% desaprova a extinção de fumódormos em empresas
53% desaprova a proibição de fumar em locais poluídos como garagens.

domingo, 13 de junho de 2010

Região central tem o pior ar da cidade

Eduardo Reina - O Estado de S.Paulo - 13 de junho de 2010 0h 00

Em 43 dias de 2009, total de partículas inaláveis de 10 mícrons foi superior ao aceitável; áreas vizinhas a avenidas concentram poluentes

No ano passado, várias regiões da cidade de São Paulo registraram alta concentração de partículas inaláveis de 10 mícrons, segundo a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). O centro, por exemplo, ultrapassou os atuais limites de poluição em 43 dias no ano. Na região do Aeroporto de Congonhas, o ar ficou saturado desse material em 39 dias. Índice parecido aos de Pinheiros (32 dias), Santana (36 dias), Santo Amaro (30 dias) e Itaquera (32 dias). Nem a região do Parque do Ibirapuera escapou - seu ar ficou inadequado por 26 dias.
As áreas de São Paulo que têm maior concentração de poluentes, principalmente o chamado material particulado, são as próximas às grandes avenidas. Assim, regiões vizinhas às Marginais do Tietê e do Pinheiros e às Avenidas dos Bandeirantes, do Estado e Salim Farah Maluf, entre outras desse porte, são as que a própria Cetesb prevê que ultrapassem os limites nos novos padrões.

Vilão. Já foi pior. Em 1997, o monóxido de carbono, por exemplo, ultrapassou os limites-padrão 657 vezes. Esse gás era então o vilão da poluição atmosférica de São Paulo. Com a mudança nos escapamentos dos veículos e surgimento de catalisadores capazes de diminuir a emissão de poluentes, a situação mudou. "Nos últimos anos, não houve nenhuma ultrapassagem. O último registro é de 2007", diz Maria Helena Martins, gerente da Divisão de Qualidade do Ar da Cetesb, referindo-se ao monóxido.

As partículas inaláveis MP 10 também apresentaram drástica diminuição. Em 1997, houve 162 registros com limite alterado na atmosfera; no ano passado, apenas uma vez, segundo a Cetesb.
Já o ozônio vem tendo comportamento preocupante. Em 2008, o limite foi ultrapassado em 49 dias. "Mas em 2007 foram 72. O ozônio vem se destacando negativamente principalmente pelas condições climáticas e pelo grande número de veículos em circulação nas ruas", explica Maria Helena.

Hoje, o risco de um morador de São Paulo morrer de doenças cardiovasculares ou respiratórias é 30% maior do que de quem vive numa cidade com baixos índices de poluentes, segundo pesquisa da Faculdade de Medicina da USP. "É preciso investir na melhoria dos combustíveis e na mobilidade. Mas principalmente deve haver uma mudança comportamental da população, que precisa deixar de usar carros e utilizar o transporte público. Os governos precisam ampliar as ofertas de transporte e melhorar condições de tráfego", reivindica o médico Paulo Saldiva.
Enquanto isso não ocorre, é só o dia amanhecer mais seco para a produtora de eventos Daniele Cagni Batista, de 34 anos, sentir os olhos vermelhos, a garganta raspando, o nariz entupido. Desde criança, ela sofre com os males provocados pela poluição. "O tempo fica seco e sujo e começo a passar mal. O nariz entope. Os olhos ardem. A única solução é tomar um antialérgico." Fora os remédios, a única solução é sair de São Paulo. "Parece mágica. É só ir para um lugar com ar mais limpo que a alergia melhora."

LÁ TEM...

União Europeia
Os novos padrões de qualidade do ar determinam que até 2015 o limite de material particulado (partículas inaláveis) de 2,5 mícron, o mais fino e mais perigoso para a saúde, seja de 25 microgramas por metro cúbico (mg/m3). A meta é chegar em 2020 a 20 mg/m3. Os limites são maiores que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde e dos que serão adotados em SP.

Estados Unidos
Apesar da alta concentração de poluentes na atmosfera desse país, o limite estabelecido pela agência ambiental norte-americana é de 15 mg/m3.

Alemanha
Vigora desde 2005 em Berlim a diretriz ambiental que determina que a concentração de 50 mg/m3³ de partículas inaláveis só pode ser ultrapassada em 35 dias por ano. Em Munique, por exemplo, esse nível foi superado em 34 dias e em Berlim 20 vezes apenas em cinco meses do ano.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Fumaça e Saúde

Artigo do médico Paulo Timóteo Fonseca para o jornal "O Estado de Minas"
Opinião - 03/02/2010

O berço do tabagismo é a América. Antes de Colombo, já se cultivava o tabaco em todo continente. O costume dos indígenas de fumar as folhas da Nicotiniana tabacum é muito mais antigo do que este marco histórico. As baforadas nunca faltaram nas cerimônias tribais. Daí o tabaco foi levado para a Europa e se espalhou como uma erva daninha. Em pouco tempo, ja se fumava cachimbo em todo continente. A seguir, veio para grassar mundo afora, levou ainda menos tempo, fazendo parte dos costumes de todas as populações do mundo moderno. Assim, poderíamos datar em 1500 o início do tabagismo no mundo, mas o hábito de fumar é talvez mais antigo quanto o mais longínquo alvorecer da civilização humana.

Desses tempos até o início do século 20, o câncer de pulmão era uma doença rara. Em 1885, o alemão Karl Benz produziu o primeiro veículo motorizado a gasolina, com três rodas e com propósito comercial. Depois disso, a indústria do automóvel nâo parou mais de crescer. No Brasil e em outros países da América Latina, essa indústria tomou impulso depois da 2a Grande Guerra. Na década anterior, marcas estrangeiras instalaram suas fábricas de montagem no Brasil. Porém, foi em 1956 que as multinacionais automotivas começaram a montar aqui os seus carros. A indústria cresceu vertiginosamente e as nossas ruas ficam, a cada dia, mais estreitas para tantos veículos de motores de combustão. Como consequência imediata, o ar que respiramos piorou. A seguir, vieram as motocicletas de dois tempos (queimam uma mistura de óleo e gasolina) e os motores a diesel, que têm uma capacidade ainda maior de poluir o ar. O problema se tornou um problema de saúde pública. O impacto sobre cada habitante é como se todos virássemos fumantes inverterados. O aumento progressivo dos casos de câncer de pulmão coincide com a invenção do automóvel.

De doença rara até o início do até o início do século 20, o câncer do pulmão se transformou na doença neoplástica mais comum nos países desenvolvidos. É a principal causa de morte por câncer entre os homens da América do Norte e da Europa. Sua incidência e mortalidade vêm aumentando nas últimas décadas entre as populações da Asia, da América Latina e da África.

Essa modificação no comportamento da doença é observada desde 1920, quando o número de casos começou a crescer progressivamente, transformando-se em verdadeira epidemia mundial desde o início do século 21. Em 1999, nos Estados Unidos, foram verificados mais de 180mil casos de câncer de pulmão. É responsável por 30% de todas as mortes pela doença, percentagem maior do que as relacionadas com os cânceres de mama, de próstrata, de cólon e de ovários somados. Curiosamente a incidência de câncer de pulmão não cresce nas mesmas proporçôes nas comunidades rurais, onde o tabagismo é um hábito comum e há poucos automóveis. Em 1950, os estudos de Doll e Hill demonstraram que o tabagismo tinha relação com o aparecimento do câncer de pulmão. Depois disso, houve muitos outros trabalhos, e todos com a mesma convicção. Pouca gente e interessou em saber qual é a contribuição da fumaça lançada pelos motores a combustão no desenvolvimento da doença. Dá-se muita importância à fumaça das chaminés das fábricas, mas parece que o fascínio pelo automóvel cega a maioria dos estudiosos. Diante desses fatos históricos, vamos fazer nossa reflexão. Não é preciso maior conhecimento para entender que aspirar fumaça não traz benefício algum para a saúde, seja qual for a origem dela. Seja ela proveniente do cigarro ou do ar poluído das ruas. Vamos excluir os fumos metálicos produzidos pela indústria e a poulição produzida pelas motocicletas, ônibus e veículos de carga.

Podemos até arriscar alguns cálculos matemáticos. Um fumante inala e lança no ar, a cada tragada, cerca de 0,2 litro de fumaça e, com cerca de 10 delas, queima um cigarro, produzindo em média, cerca de dois litros de fumaça. Um automóvel 1.0, num ciclo de funcionamento, a cada rotação do eixo do motor, lança no ar, pelo escapamento, um litro de fumaça. A cada minuto, esse motor gira cerca de 2 mil vezes, formando 2 mil litros de fumaça, o que equivale a 2,88 milhões de litros de fumaça por dia, se ficasse o tempo todo ligado. Para produzir a mesma quantidade de fumaça, precisaríamos que 1,44 milhão de cigarros fossem fumados no mesmo dia.

Se levarmos em em consideração que circulam em Belo Horizonte cerca de 1 milhão de automóveis, esses veículos produzem 2,88 trilhões de litros de fumaça por dia. Precisaríamos, então, queimar 1,44 trilhão de cigarros para produzir a mesma quantidade de fumaça. Se considerarmos que um fumante queima pelo menos 1 maço de cigarros por dia, seriam necessários 720 milhões de fumantes por dia para produzir o mesmo volume de fumaça. Mesmo se toda a população brasileira morasse em Belo Horizonte e fosse constituida de fumantes, não seria possível produzir tanta fumaça. O cerco aos fumantes avança e eles estão sendo excluidos dos luares públicos, enquanto milhares de carros são emplacados e entram em circulação. Atribuir apenas ao cigarro o incremento dos casos de câncer de pulmão é, no mínimo, um raciocínio precipitado e que fecha os olhos ao maior poluente do ar que respiramos - a fumaça produzida pelos automóveis.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Etiqueta (para fumantes e não-fumantes)

Regrinhas básicas para fumantes:
  • Considere a possibilidade de carregar cinzeiros portáteis.
  • Na falta do cinzeiro portátil, apague-o e jogue a bitucas no lixo (sugestão: use a sola do seu sapato)
  • Vá se acostumando: nem mesmo nas áreas externas em festas e recepções, antes redutos de fumantes educados, existem lixeiras e muito menos cinzeiros. Existe um consenso geral de que a falta destes apetrechos fará com que o fumante suma da face da terra. E você, educado, ficará constrangido com o garçon que se oferece para se livrar das suas bitucas.
  • Alguns carros novos não vem mais com cinzeiro. Mesmo assim, não jogue bitucas na rua. Bata até cair a brasa e depois guarde suas bitucas para jogar no lixo mais tarde. Potinhos da "Trident" são ótimos para armazenamento temporário sem deixar cheiro no carro, e são fáceis de esvaziar.
  • Não fume enquanto outros da mesa ainda estão comendo. (meio óbvio mas não custa colocar)
  • Não jogue fumaça na cara dos outros (privilégio exclusivo de divas Hollywoodianas da década de 40)
  • Não deixe o cigarro queimando no cinzeiro (é a fumaça mais incômoda).
  • Procure fumar sempre num único lugar da casa, se possível arejado.
  • Use algum tipo de dispositivo para melhorar a qualidade do ar do seu canto. Considere isso como um preço a pagar por sua fumacinha. Veja este post do Henrique, da Ecoquest.
  • Não fume dentro de casas não fumantes.
  • Caso eles insistam (sim, tem amigos que fazem isso), por mais que seja tentador, não aceite e fume do lado de fora.
  • NUNCA fume em carros de não fumantes.
  • Proteja os demais da brasa do seu cigarro em locais muito cheios.

Regrinhas básicas para não fumantes
Imagine as seguintes situações:
  • Você está correndo no Ibirapuera, transpirando, e econtra um amigo. Ele não esconde que se incomoda com o seu cheiro.
  • Seu marido gosta de macarrão ao alho e óleo, que come toda noite. Seu vizinho reclama do cheiro da comida que ficou no hall.
  • No almoço vai ter dobradinha, que está cozinhando na panela de pressão. Entra uma visita e reclama do cheiro da casa.
  • Você adora seu totó. Leva-o para todos os lugares. Um belo dia, dá carona para uma amiga, que, assim que entra no seu carro, reclama do cheiro de cachorro.
  • Você se arruma toda, coloca um perfume gostoso. Quando chega na festa, a dona da casa franze o nariz mostrando-se visivelmente incomodada.
  • Voce está na academia, correndo na esteira. Na noite anterior, comeu um belo "filé do Moraes". Algumas pessoas entram na sala franzindo o nariz. A reação é a mesma dentro do vestiário.
  • Você passou o dia todo trabalhando como um cão, não teve tempo de almoçar. Um problema de estômago provocou um tremendo mau hálito. Um colega se aproxima e abana o nariz.

Você classifica estas reações como aceitáveis?
Por diversos motivos, pessoas que se consideram educadíssimas se vêm isentas de cumprir regras básicas de educação quando o cheiro é de cigarros. Não se esqueça que existem muitos cheiros desagradáveis além do cigarro: você mesmo pode ser responsável pela produção de um deles...

Empresas preferem contratar quem não fuma

Reporter Vinícius Queiroz Galvão - 31/05/2009
folha de são paulo

Em meio à implantação da lei antifumo, que proíbe o cigarro em todos os ambientes fechados do Estado, uma pesquisa da Catho, a maior empresa de recrutamento on-line do país, revela que 82% dos gerentes e 83% dos diretores têm objeção à contratação de fumantes.

Na prática, isso significa que, entre dois candidatos com qualificação profissional semelhante que disputam a mesma vaga, o não fumante tem a preferência do empregador.A AlfaData Solutions, empresa que presta serviços de informática em São Bernardo do Campo, diz ter "o princípio de não contratar fumantes".

"Entendemos que o funcionário que não fuma tem uma saúde melhor e vai produzir mais. Também não queremos tornar os demais empregados fumantes passivos", afirma o gerente Ivan Caparrós.

O estudo, feito a cada dois anos, mostra que, de 1997, quando foi analisado pela primeira vez, o percentual de fumantes nas empresas caiu de 20% para 12% atualmente.

Hierarquia

Curiosamente, quanto menor é a hierarquia, menor é o número de vezes que o empregado sai para fumar por dia. Enquanto os vice-presidentes puxam 14 cigarros por dia, os estagiários fumam cinco.Dos profissionais ouvidos, 77% dizem não ter permissão para fumar no trabalho e outros 67% afirmam que suas empresas têm lugares específicos para empregados fumantes.

Para Fabíola Marques, ex-presidente da Associação dos Advogados Trabalhistas de São Paulo e professora de direito trabalhista da PUC, a objeção à contratação de fumantes "é totalmente discriminatória".

"A lei proíbe qualquer tipo de discriminação na contratação ou durante o contrato de trabalho. Se o candidato conseguir comprovar que foi discriminado por ser fumante, pode conseguir indenização na Justiça", afirma Marques.

A pesquisa ouviu 13.340 profissionais de todo o Brasil e, como foi feito por questionários respondidos voluntariamente, não considera margem de erro.

A razão para a exclusão dos fumantes, dizem as empresas ouvidas, é a menor produtividade dos empregados que fumam. Para os patrões, os fumantes deixam mau cheiro de cigarro no ambiente e atrapalham o andamento do trabalho ao parar o serviço para fumar.

Algumas empresas disseram também que os empregados fumantes incomodam os clientes.

Segundo Antonio Joaquim Motta Carvalho, headhunter e sócio-diretor da Panelli Motta Cabrera Associados, empresa especializada na contratação de executivos, a preferência por não fumantes é "velada, mas acontece" e, para o mercado, fumar diminui a produtividade.

"Já houve casos em que me disseram claramente: não contrate fumante. Tem gente que não gosta de interagir no dia a dia com fumantes. Descer para fumar interfere na produtividade, não tenho dúvida", diz.

Multa

Na primeira semana de agosto, quando entrar em vigor a lei antifumo do Estado de São Paulo, as empresas terão de extinguir os fumódromos e proibir o cigarro no ambiente de trabalho. Caso não obriguem os empregados a fumar na rua, poderão receber multa da fiscalização da Vigilância Sanitária e dos agentes do Procon.

Benefícios da combinação de vitaminas C e E

(veja as fontes de vitamina C e E na nossa "Alimentação para Fumantes")

Estudo publicado em 25/02/2006 mostra que suplementos de vitamina C podem frear a diminuição de vitamina E nos fumantes. Foi o primeiro estudo em humanos mostrando a interação destes dois antioxidantes.

O estudo mostra que 1000mg de vitamina C por dia diminui em até 45% a redução de uma forma de vitamina E nos fumantes. No geral, suplementos de vitamina C ajudam a proteger a função e os níveis de plasma da vitamina E. Fumantes que ingerem suplementos obtêm o mesmo nível protetor anti-oxidante dos nao fumantes.

Por ter maior perda dos antioxidantes protetores, os fumantes devem cuidar melhor da alimentação. No entanto, pesquisas demonstram que apenas 8% dos homens e 2,4% das mulheres ingerem níveis adequados de vitamina E. Os fumantes também normalmente ingerem muita carne mas poucas frutas e vegetais (maiores fontes de antioxidantes). Apesar dos fumantes necessitarem níveis mais altos de antioxidantes, sua dieta normalmente é fraca.

Na pesquisa, os participantes seguiram uma dieta pobre em frutas e vegetais por 3 meses, resultando numa queda nos níveis de vitamina C. Alguns receberam suplemento de vitamina C e outros um placebo. Fumantes que receberam suplementos de vitamina C tiveram o mesmo nível de queda de vitamina E dos não fumantes, enquanto que os indivíduos com deficiência de vitamina C perderam vitamina E alpha numa velocidade 25% maior que não fumantes, e Vitamina E gamma numa velocidade 45% maior.

"O que o trabalho demonstra é que as Vitaminas C e E devem trabalhar juntas para cumprir seu papel vital," diz Maret Traber, chefe da pesquisa realizada. "Elas têm efeito sinérgico que não será obtido pela ingestão de uma ou de outra, e níveis adequados destes nutrientes são especialmente importante para os fumantes"

Ler Matéria na Íntegra

Porque os fumantes têm direitos iguais na Assistência Médica

O Professor John A. Dormandy, Cirurgião Vascular - St George Hospital em Londres, deu esta resposta corajosa após o anúncio de que os hospitais de Norfolk e Staffordshire recusariam realizar cirurgias em pacientes fumantes enquanto eles não abandonassem os cigarros. Além de confessar que é fumante há 50 anos, coisa que raros profissionais em posição muito inferior à dele fazem, classificou a atitude como imoral. A sua resposta vai ao encontro das nossas posições porque mostra o quanto os médicos estão se afastando da própria missão da profissão ao tratarem a questão do fumante.

"Isso não apenas imoral: é dar aos fumantes tratamento pior do que recebem os assassinos"
Prof. John A Dormandy


"Fumar é um hábito sedutor. Tenho visto como isso pode bloquear artérias e já tratei muitos pacientes cujos problemas eram diretamente ligados ao seu vício.

Mesmo assim, acho que a proposta de negar cirurgias a fumantes é mais um exemplo de loucura do politicamente correto. Como é que criminosos violentos podem receber cirurgia e há dúvidas se os fumantes teriam esse direito?

Os médicos são obrigados a tratar seus pacientes da forma que os recebe, e a simples sugestão de que alguém poderia ter este e outros procedimentos para salvar a vida negados simplesmente porque são fumantes é imoral.

Quando recebo um paciente que levou um tiro, não lhe pergunto quais foram as circunstâncias. Se um indivíduo embriagado é internado após bater o carro numa árvore, não me recuso a atendê-lo - isso é brincar de Deus.

É nossso dever como médicos aconselhar nossos pacientes sobre seus riscos. Se um paciente fuma dizemos que ele tem maior probabilidade de desenvolver um câncer de pulmão aós a cirurgia, porque isso pode ser um efeito colateral da anestesia geral.

E se um paciente vai fazer um bypass coronariano, minha especialidade em cirurgia cardíada, são alertados que caso continuem a fumar, outras partes da artéria vão se estreitar e eles precisarão de outras cirurgias ou correrão risco de outro infarto.

Mas uma vez que um fumante sobrevive a uma cirurgia como a de prótese de quadril, por exemplo, a recuperação será igual a de qualquer outro paciente. Se o paciente resolve não ser operado após ter recebido nossos conselhos, a decisão deve ser dele.

Isso é muito diferente do que dizer que ele não deve ser operado porque foi o cigarro que causou sua doença.Nosso dever é tratar os pacientes da melhor forma possível, independente de como eles adoeceram, e não castigá-lo por causa do seu estilo de vida. A única excessão é no caso de um transplante, pois o número de doadores é pequeno e devemos beneficiar aquele que tem maiores chances. Se houver apenas 1 coração e temos que escolher entre um senhor de 80 anos, que já teve 3 infartos e fuma, e um indivíduo de 40 que não fuma, o de 40 terá prioridade.

Isso, infelizmente, é inevitável quando os órgãos são racionados. Mas para cirurgia vascular - que normalmente não é racionada - não julgamos se o paciente é uma pessoa boa ou uma pessoa má; avaliamos a emergência médica e a cirurgia é realizada com este critério. Não me oponho a essa política apenas como clínico, mas como fumante também. Fumo há 50 anos. Gostaria de não fumar, mas tenho esse vício, apesar de ter conseguido diminuir o consumo.

Tentei de tudo, desde adesivos de nicotina à boa e velha força de vontade, mas nada funcionou. Por ano, cerca de 3% de fumantes tentam parar e 80% não conseguem.Porque eu ou qualquer outro paciente que eu atendo devemos ser discriminados por causa do nosso vício? Se o Governo tornasse o fumo ilegal seria diferente, mas enquanto for legalizado a nação deve aos fumantes os mesmos cuidados que recebem os não fumantes.

Há tanto fervor anti-fumantes neste país! Vejo no meu próprio hospital: pacientes podem fumar nos jardins externos, mas aqueles que estão literalmente morrendo e impossibilitados de sair do hospital não podem fumar porque não há um local para isto.

Esta é a derradeira e totalmente desnecessária crueldade - estamos o privando do único prazer que lhes sobrou. É óbvio que fumar não é um estilo de vida ideal, e os médicos deveriam encorajar fumantes a parar. Mas muitos estilos de vida não são ideais. Deveríamos negar tratamento a homens que abandonam esposa e filhos?

Já é tempo do governo parar de discriminar os fumantes e permitir aos médicos tratar todos os pacientes da melhor forma possível. Negar essas cirurgias é simplesmente uma punição."